Texto publicado no perfil do autor no Facebook, na segunda-feira 17 de junho.
Thiago Henrique Mota
Antes de ir pra rua, construir a #ViçosaQueQueremos, gostaria de deixar claro que não luto contra as políticas públicas e os projetos sociais do executivo federal, expressos na pessoa da Presidenta Dilma. Foram várias as conquistas que possibilitaram a emergência da manifestação que agora vivemos.
Milhares de brasileiros têm, hoje, condições de vida muito melhores que tinham há dez anos. A universidade pública cresceu. Hoje, brancos, negros e índios têm acesso ao ensino superior na mesma proporção que compõem na população das unidades federais. o bolsa família trouxe grande independência às mulheres do interior e minou a política do coronelismo, além de dinamizar economias locais e retornar o investimento para o Estado.
Cotas e bolsas não são esmolas e menos ainda favores. São direitos reconhecidos em todo o mundo preocupado com justiça social e com seus erros históricos. Veja a Alemanha, com a ferida aberta do nazismo e engajada na inclusão social de todos os estratos que lhe compõem o povo. Não, eu não luto contra isso. Luto contra a corrupção do executivo federal, estadual e municipal. Luto contra o legislativo tendencioso e que não nos representa. Luto contra a mídia que nos manipula. Luto contra o judiciário que se acha acima das leis (é proibido proibir, TJ-MG, e na Copa Minas vai pra rua).
Manifestação de protestos em Viçosa, em favor dos direitos à cidade e aos serviços públicos de qualidade no município. Foto: Márcio Duarte.
Quero um país justo, solidário. Não quero ser o governo e não luto por um partido. Luto pelo direito de ter um governo que sirva o povo, que trabalhe por suas demandas, que promova suas causas. Não luto contra o governo Dilma, que, embora aquém do desejado, investe na educação que lhe compete (o nível superior, uma vez que o ensino fundamental é responsabilidade do município e o Médio dos Estados). Que isentou os produtos da cesta básica dos impostos federais (e não teve adesão da iniciativa privada, que aumentou seu lucro em vez de reduzir os preços). Que subsidiou o transporte público, que encontrou possibilidades para o barateamento da luz em Minas.
Não luto contra um executivo federal inclusivo. Exijo dele mais responsabilidades e, sobretudo, que feche as pernas que estão arreganhadas para a Fifa. Mas luto por respeito e pelo respeito local, pela gestão dos estados, pela punição dos mensaleiros, contra o extremismo religioso da bancada evangélica...
Hoje, só temos condições de sair às ruas porque nos foi mostrado que o Brasil pode ser belo, mas queremos que seja maravilhoso.

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