Thiago Henrique Mota
Texto publicado na quarta-feira 19, no perfil do autor no Facebook.
Entre domingo e ontem havia muito barulho e muitas opiniões bem fundamentadas sendo apresentadas e discutidas por aqui (nem todas, claro). Ainda ontem e hoje tenho percebido que os debates estão apartados: aqueles que perderam (ou nunca tiveram) foco e "se cansaram", e aqueles que tentam estabelecer um foco e pautas políticas sérias. Mais do que isso, percebi um certo silêncio (claro que há enxurradas de postagens, contra a Dilma, contra o Aécio Never, contra o Lula, contra o Alckmin e os alckimistas...). Mas as propostas reais e os embasamentos críticos estão menores.
Particularmente acho isso muito bom. Acredito que as pessoas que contribuíram com ideias na segunda-feira hoje estão refletindo sobre os rumos do movimento e dos protestos. Precisamos pensar e deixar de lado a miopia liberal que valoriza a democracia e a inclusão social, mas é contra as cotas socioeconômicas nas universidades e contra o Bolsa Família (vi um meme engraçado ontem. Dizia: canta Geraldo Vandré e diz Fora Dilma - retardado). O problema que eu e muitos havíamos apontado no domingo, na segunda-feira... está aí: a direita radical querendo cooptar os protestos sociais e esquerdistas, nublando o cenário político e despolitizando as massas. Um cartaz que diz "basta de corrupção - intervenção militar já" é, no mínimo, emblemático disso tudo. O sim ou não ao pacifismo, o sim ou não à agressividade, o sim ou não aos "coxinhas" (não conheço a gíria - se for uma -, talvez por isso tenha achado o termo inusitado) são temas de debate. Acho que as pessoas estão pensando antes de falar - ou postar.
Charge que tem circulado pelos perfis no Facebook
Acredito que queiramos todos protestos pacífico no sentido de não valorizar a violência (e não inibir as pessoas de se expressarem). Mas não pacifista, reformista ou reacionário. É necessário ser agressivo nas demandas, nas pautas e na efetividade da ocupação dos espaços (reais e simbólicos). E precisamos, com urgência, deixar de ser tucanos e descer do muro. Tomar lados nas propostas. Não dá pra fazer alianças com Deus e com o Capeta. Não dá pra defender direitos sociais e ser contra cotas. Não dá pra ir pra rua e pedir interferência militar. O vazio que se criou, uma vez que o Movimento Passe Livre claramente não deu conta de preencher todo o espaço formado, está sendo preenchido com pautas que se anulam e que anularão toda a efervescência das massas.
Um movimento apartidário? Ok, desde que isso signifique que grupos, instituições, partidos e pessoas possam se representar e ter voz: todos, não apenas um. Isso é democracia. Um movimento anti-partidário? Não, pois isso significa um consenso burro, despolitizado e fascista (juntos somos mais, como a ideia do conjunto de gravetos que juntos não se quebram e são usados da maneira que couber àqueles que deles de apropriarem). Precisamos de pautas concretas, posturas políticas e, sobretudo, cuidado com tudo que parece ser bom e revolucionário, mas é o mais reacionário que há.
Estamos vivendo um protesto social de fomentação esquerdista, que luta por direitos sociais - passe livre no transporte público - e não contra o governo Dilma. Aliás, é da Dilma o projeto que destina 100% do royalties pra Educação (uma das grandes bandeiras nacionais nos protestos). Foram nos últimos dez anos (e não tenhamos receio de falar: nos governos Lula e Dilma) que a pirâmide social brasileira sofreu mudanças, alargando a classe média, alargando as classes A e B (de forma mais moderada) e reduzindo as classes D e E, de pobres e miseráveis.
Em Viçosa, foi formada a organização social "Viçosa que queremos", que congrega vários movimentos da sociedade civil organizada para debater os rumos dos protestos e demandas políticas e sociais no âmbito local.
O program de Cotas não tem que acabar: tem que ser expandido. O bolsa família não tem que acabar: tem que ser expandido. O que tem que acabar é o subsídio aos bancos, os empréstimos milionários à iniciativa privada a juros mais baixos que a taxa SELIC... A luta pelo Ensino Fundamental e Médio tem que ser feita nos municípios e Estados, e isso não anula as medidas do governo federal, como cotas e auxílios. É preciso se posicionar e, se estamos nas ruas, é porque nossa democracia se fortaleceu nos 10 anos de governo Lula e Dilma. Como já disse antes, quero que as reformas sociais se tornem maiores. E quero Dilma presidenta.


Nenhum comentário:
Postar um comentário